sábado

Baile sem máscaras.

Já me encontrava totalmente inebriado pela nostálgica sensação que aquele encontro me passara tão inocentemente.
Talvez buscando uma sólida consciência do que já não encontro mais em simples lembranças.
Naquele momento, apesar de entorpecido por alguns copos de gasosa, tinha uma única vontade, encoberta e disfarçada... queria abraçar o presente. Aquele momento. O instante.
Seria uma maneira de me despedir de algo que é meu, por merecimento. Ou até mesmo, segura-lo. Não soltar mais.
Muitos cigarros foram acesos.
Alguns por pura teimosia e complexo de dedos vazios.
(A minha vó, débil e fraca, acha que o fumante não consegue ficar mais de 5 minutos sem ter algo entre os dedos).
As horas passaram, abrimos espaço para o silêncio, dentre todas as outras coisas.
Sentimos a música e aceitamos, com toda a paixão, a receita de como matar baratas, que Clarice Lispector, numa aparição rápida, tentou nos passar.
Acho que a troca de cumplicidade foi muito importante pra mim.
Agora, estou só.
Procuro o que procurar, em desespero, inquieto, e sobretudo, triste.
Na verdade, sinto-me até confortável em perceber o quanto sou corajoso em admitir a minha falta de felicidade.
Reorganizo minhas emoções, a casa, lavo a louça e de soslaio, observo a chuva em minha janela.
Preciso lavar minha alma... pensei.
Escutei mais dois contos e logo em seguida, deitei-me aos braços de Morfeu.

C.


2 comentários:

.Profusion disse...

As trocas foram fantásticas... a música...o sentimento... Gosto muito de vc!

:)

Sua vó está nunca esteve tão certa..rs

beijos

.Profusion disse...

Vamos ver aquela história ... lembra?

;)