Hoje, eu me encontro em estado de emergência e de calamidade pública.
Sozinho, deprimido, felino...
Peço ajuda ou ao menos consciência de quem mais a possa ter.
Experimento o sabor amargo da desilusão, sórdida para comigo.
O dia hoje foi de Sol brilhante, generoso em nos aquecer. E eu, tristonho e medroso, fecho todas as cortinas.
Não quero me aproximar do que é belo. Não, não hoje.
Quero apenas estar sozinho. Olhar fixamente, por horas, um canto da casa escolhido ao acaso.
Esquecer da vida e dos sabores da vida. Anteceder os antecedentes, criticar o “incriticável”. Acho que para ter algum luxo por Deus, porque eu também preciso.
Amém para nós todos.
C.
Sábado
Baile sem máscaras.
Já me encontrava totalmente inebriado pela nostálgica sensação que aquele encontro me passara tão inocentemente.
Talvez buscando uma sólida consciência do que já não encontro mais em simples lembranças.
Naquele momento, apesar de entorpecido por alguns copos de gasosa, tinha uma única vontade, encoberta e disfarçada... queria abraçar o presente. Aquele momento. O instante.
Seria uma maneira de me despedir de algo que é meu, por merecimento. Ou até mesmo, segura-lo. Não soltar mais.
Muitos cigarros foram acesos.
Alguns por pura teimosia e complexo de dedos vazios.
(A minha vó, débil e fraca, acha que o fumante não consegue ficar mais de 5 minutos sem ter algo entre os dedos).
As horas passaram, abrimos espaço para o silêncio, dentre todas as outras coisas.
Sentimos a música e aceitamos, com toda a paixão, a receita de como matar baratas, que Clarice Lispector, numa aparição rápida, tentou nos passar.
Acho que a troca de cumplicidade foi muito importante pra mim.
Agora, estou só.
Procuro o que procurar, em desespero, inquieto, e sobretudo, triste.
Na verdade, sinto-me até confortável em perceber o quanto sou corajoso em admitir a minha falta de felicidade.
Reorganizo minhas emoções, a casa, lavo a louça e de soslaio, observo a chuva em minha janela.
Preciso lavar minha alma... pensei.
Escutei mais dois contos e logo em seguida, deitei-me aos braços de Morfeu.
C.
Talvez buscando uma sólida consciência do que já não encontro mais em simples lembranças.
Naquele momento, apesar de entorpecido por alguns copos de gasosa, tinha uma única vontade, encoberta e disfarçada... queria abraçar o presente. Aquele momento. O instante.
Seria uma maneira de me despedir de algo que é meu, por merecimento. Ou até mesmo, segura-lo. Não soltar mais.
Muitos cigarros foram acesos.
Alguns por pura teimosia e complexo de dedos vazios.
(A minha vó, débil e fraca, acha que o fumante não consegue ficar mais de 5 minutos sem ter algo entre os dedos).
As horas passaram, abrimos espaço para o silêncio, dentre todas as outras coisas.
Sentimos a música e aceitamos, com toda a paixão, a receita de como matar baratas, que Clarice Lispector, numa aparição rápida, tentou nos passar.
Acho que a troca de cumplicidade foi muito importante pra mim.
Agora, estou só.
Procuro o que procurar, em desespero, inquieto, e sobretudo, triste.
Na verdade, sinto-me até confortável em perceber o quanto sou corajoso em admitir a minha falta de felicidade.
Reorganizo minhas emoções, a casa, lavo a louça e de soslaio, observo a chuva em minha janela.
Preciso lavar minha alma... pensei.
Escutei mais dois contos e logo em seguida, deitei-me aos braços de Morfeu.
C.
Sexta-feira
Ultima apresentação
Vamos falar a verdade:
Sim, eu tentei parar de fumar. Mas a dramatização do meu dia-não-dia, não permitiu vitória.
Sinto falta de colo, ombros, carinhos e tudo mais que um bom amigo pode oferecer.
Quebrei meu espelho. Vamos esquecer toda aquela superstição boba de que o azar vai bater à porta e entrar, pra morar, durante sete anos. Posso olhar pelo olho mágico que de fato, não tem nada de magia.
(Pausa para acender um cigarro)
Senti “carnalmente” a mudança dos ventos.
Eles sopram para outros rumos e estou feliz com isso.
Consegui decifrar-me, mesmo com cacos espalhados pelo chão.
A minha face, refletida em mil pedaços, sorria tão insuportavelmente pela libertação, que chega a doer.
Seria fácil assim?
Ainda posso escutar o barulho teatral do espelho se espatifando ao encontro do chão, duro e frio.
Mas o espelho também não seria duro e frio?
Estranhamente, só consegui entender-me ao contar as pequeninas lascas de vidro.
Por anos ele foi o meu divã.
Agora não mais.
Não quero mais. Juro com inocência de criança.
Chega de tentar entender os males de minh’alma e de usar o viés para amar.
Não quero mais fingir que finjo. Adorar o fingimento, fingindo que sou fingido.
Acho que a peça acabou.
Vamos sair de cena.
C.
Sim, eu tentei parar de fumar. Mas a dramatização do meu dia-não-dia, não permitiu vitória.
Sinto falta de colo, ombros, carinhos e tudo mais que um bom amigo pode oferecer.
Quebrei meu espelho. Vamos esquecer toda aquela superstição boba de que o azar vai bater à porta e entrar, pra morar, durante sete anos. Posso olhar pelo olho mágico que de fato, não tem nada de magia.
(Pausa para acender um cigarro)
Senti “carnalmente” a mudança dos ventos.
Eles sopram para outros rumos e estou feliz com isso.
Consegui decifrar-me, mesmo com cacos espalhados pelo chão.
A minha face, refletida em mil pedaços, sorria tão insuportavelmente pela libertação, que chega a doer.
Seria fácil assim?
Ainda posso escutar o barulho teatral do espelho se espatifando ao encontro do chão, duro e frio.
Mas o espelho também não seria duro e frio?
Estranhamente, só consegui entender-me ao contar as pequeninas lascas de vidro.
Por anos ele foi o meu divã.
Agora não mais.
Não quero mais. Juro com inocência de criança.
Chega de tentar entender os males de minh’alma e de usar o viés para amar.
Não quero mais fingir que finjo. Adorar o fingimento, fingindo que sou fingido.
Acho que a peça acabou.
Vamos sair de cena.
C.
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