Uma pêra envenenada contracena com lábios carnudos e avermelhados.
Ascendo um cigarro e peço pra Janis Joplin cantar.
Bato os pés ritmicamente e esqueço da exaustão de outrora.
Tento flagrar minha ladroagem quando abro meu velho diário e evito a nostalgia.
Cortei meus cabelos e desejo mudar.
Costuro a bainha de uma blusa e junto com ela, sentimentos rasgados.
Meu rosto, aos poucos, retorna a sua normalidade.
Ainda não tive coragem de me interrogar frente ao espelho.
Fui corajoso e ao mesmo tempo covarde comigo mesmo.
Talvez a lua me oferte mais do que eu realmente espero dela.
A luz necessariamente se reflete na lagoa frente a minha janela.
Estou aqui. Figura humana decifrada.
Conheço-me por intermédio do outro.
C.
Ao som de Janis Joplin
Quarta-feira
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