Quarta-feira

Dear Diary...

Comecei a semana implantando mudanças.
De primeira mão, pensei que não levaria a sério esse meu desejo de “concertar as coisas” em minha vida, ou pelo menos em meu dia.
Pois bem...
Acordei com o pé direito (superstição boba), fui correr em volta da lagoa e fumei poucos cigarros, mais ou menos uns seis. Essa é a minha mais nova meta. Cheguei a um acordo comigo mesmo e entendi que diminuir não significa parar.
Hoje, apesar de toda a disposição gratuita que tomou o meu corpo, o dia foi cinzento, frio e talvez sem graça. Não chegou a me desanimar, muito pelo contrario, dias de chuva podem até ser interessantes, dependendo do que se há pra fazer e de onde você o observa.
Estudei um pouco minhas apostilas de Arte, organizei meus desenhos de moda, risquei alguns nomes da minha agenda e dos meus pensamentos. Sombrios, vez ou outra.
Diferente dos outros dias, não tive muita paciência para limpar o apê, que não aparenta estar muito sujo e muito menos desorganizado.
Separei alguns livros interessantes para ler e dei continuidade ao que já comecei: On The Road – Jack Kerouac.
Pé na estrada, ele me diz...
Imagino um futuro não muito distante onde eu estarei com os dois pés na estrada, com ou sem rumo. Apenas com a certeza de estar procurando um canto meu, perdido pelo mundo ou pela cidade. Não precisa ser necessariamente tão distante.
Existe um apartamento aqui na minha rua que estou namorando há meses. Ele parece ser pequeno, ter a cozinha em estilo americano, com apenas um quarto e uma varanda charmosérrima. Creio que seja o ideal para uma boa decoração sem muitos gastos. Se bem que esse é um plano para o futuro.
Apartamento, samambaias, gato preto, um fusca...
Preciso movimentar um pouco mais a minha vida para não haver muitas frustrações no futuro.
Tantos caminhos para percorrer, tantos solavancos para me atrapalhar, mas tenho que ser forte.
Alguém me disse que ser forte é nada mais do que vencer a si mesmo.
Bem, nesse caso acho que estou progredindo.
Tem um trecho de um livro de Clarice Lispector que diz: “Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos”. Já diz tudo.
Clarice Lispector – Perto do Coração Selvagem ao som de “Clariô” Gal Costa 70’s.


C. Coga

Terça-feira

Que coisa, heim?!


Seria a cantora Whitney Houston, 43, a paixão secreta de Osama bin Laden? Kola Boof, uma mulher sudanesa de 37 anos que afirma ter sido escrava sexual do líder da Al Qaeda, garante que sim.
Em sua autobiografia, "Diário de Uma Jovem Perdida", Kola escreve que Bin Laden se sentia tão atraído pela cantora norte-americana que a um certo ponto pensou em pagar um assassino de aluguel para matar o marido dela, Bobby Brown. O livro estará à venda em setembro nos Estados Unidos.
"Me disse que Whitney Houston era a mulher mais bela que ele já tinha visto, que a desejava ardentemente e que, apesar da música ocidental ser considerada uma manifestação do mal, gostaria de ir aos Estados Unidos para organizar um encontro", afirma a mulher em trechos do livro obtidos pelo jornal "The New York Post".

Whitney Houston foi internata recentemente em uma clínica de tratamento, viciada em Crak e heroína.
(vide foto)

Fonte: Folha de São paulo

Sexta-feira

Quinta-feira


Esta semana se deu inicio as minhas aulas de História da Arte no MAM.
O professor me pareceu muito bom, apesar de não ter muito “tino” com a classe e deixar quase todos com, digamos assim, muito sono.
Depois da aula, aproveitei para dar uma espiadinha na exposição de Pierre Verger, que por sinal é uma ótima dica para um fim de tarde.
Impressionei-me com tamanha beleza das instalações. Tudo realmente impecável.
Na volta pra casa, encontrei uma amiga, da qual estava saudoso.
Preparamos uma pequena farra, com direito a fotos, poses, jantar improvisado e muita risada.
Estava precisando me divertir um pouco. Encontrar alguém que apoiasse todas as minhas candidaturas e vice-versa.
A noite se desenvolveu dos Beatles ao Jazz, aos goles homeopáticos de cerveja e de algumas pitadas de bom-humor.
Nos encontramos puros, ingênuos, felizes.
Estou entrando na madrugada. Sem sono, sem vergonha, sem medo...
Eu estou na madrugada!

Hoje, ao som de The Beatles.

Edith, mais que uma figurinista.


Li um post no blog de uma amiga que contava sua experiência de rever o filme “Um corpo que cai”.
Já assisti esse filme, talvez em circunstâncias iguais as dela. Na madrugada, com os olhos caídos e com pouca paciência.
O filme é bom, muito bom mesmo. Melhor ainda foi lembrar-me de Edith Head, figurinista do filme.
Senti uma vontade enorme de escrever sobre ela, uma vez que estou direcionando minha carreira para área de comunicação e pretendo usar este blog como treino para as minhas matérias de moda.
Calma, não vou deixar completamente esse lado poético e muitas vezes cômico dos meus textos postados.
Voltando ao assunto, Edith Head teve uma história bem incomum.
Ela nasceu Edith Claire Posener, em 1897, na cidade de San Bernardino, Califórnia.
Foi aluna de História da Arte na Universidade da Califórnia, em 1919, assim como no Otis Institute e na Chouinard Art School.
Casou-se com um homem completamente transtornado, alcóolatra e viu-se obrigada a trabalhar para poder sustentar a si e ao marido vagabundo.
Com muita ousadia, ela conseguiu um emprego na Paramount, no departamento de figurino.
Dizem que ela não sabia desenhar e nem costurar, mas “surrupiou” os desenhos de alunas do curso onde era professora e se candidatou, sendo contratada de imediato.
Com fama meteórica, divorciada de Charles Head, casou-se novamente com um cenógrafo muito bem conceituado.
Edith sabia o que queria, determinada e com uma visão estratégica incrível, tratou de se tornar amiga íntima das estrelas hollywoodianas.
Criou peças magníficas para diversos filmes. Na verdade, ela apenas assinava os croquis de seus assistentes.
Imagina!
Ela participou de mais de mil filmes, recebeu 35 indicações ao Oscar, 8 estatuetas e criou o vestido mais caro da história do cinema.
Edith Head morreu duas semanas depois de ter encerrado as filmagens do filme “Cliente morto não paga”, em 1981.
Hoje, Edna Mode, personagem do filme de animação “Os Incríveis”, encarna com perfeição a inesquecível figurinista Edith Head.

Inesquecível, única.

Quinta-feira

Labuta

Tinha a sensação de que não iria conseguir, mas algo me dizia pra continuar, tentar mais uma vez...
Uma estranha sede de conhecimento tomou conta da minha mente, sem contar com a raiva, que a essa altura já tinha acabado com duas carteiras de cigarros.
Entrei e sai de vários domínios sem me importar muito com horários e/ou programas paralelos.
Eu tinha que tentar.
Dicionários de inglês, xícaras de café solúvel, uma folha de papel e caneta foram os meus grandes aliados.
A cada erro cometido, uma cruz era marcada no papel, um gole de café era tomado e uma “tragada”, daquelas bem profundas, era dada em meu cigarro esquecido por alguns momentos no cinzeiro.
Por alguns segundos pensei que estaria ficando louco, uma vez que nem os meus olhos piscavam.
Mas o que tem de errado tentar aprender algo por si só?
Os autodidatas existem ou não?
Continuei a tarefa entre gritos, “porras” e socos na mesa.
”Eu vou conseguir, eu sei” .
Finalmente, depois de 10 horas, contadas ontem e hoje, encontrei a resposta para minha inquietação e assim, o alívio.
Meus dedos cansados, minhas nádegas dormentes, meus cabelos assanhados e os olhos, meu Deus, os olhos esbugalhados como dois faróis. Eu já não respondia por mim.
Limpei a bagunça, acendi outro cigarro e suspirei.
Meu blog estava pronto.
Foi como se eu estivesse parindo. Imagina!
É, foi um ato de parir.



Então, Clarice me diz: “Mas eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”

Terça-feira

Dia de Tomates.

O dia amanhece, o Sol brilhando como em quase todo dia.
Ainda sentindo o gosto amargo de pós-farra no céu da boca, fui à feira.
No meio de muitas barracas, de galinhas de destino certo e de gritos confiantes em seu preço aparentemente justo, entreguei-me ao clima de uma boa feira de verduras.
Parei atentamente em cada “banqueta” enamorando tomates e cebolas.
Aceitei ofertas de batatas, mas barganhei chuchus.
Arrastando meus chinelos nos corredores, explorei caminhos que levavam para cada uma das sete portas, das quais só consegui contar duas.
Onde estão as outras?
Por alguns segundos imaginei aquilo tudo como um grande caldeirão de sopa. Verduras, muitas verduras e CARNE!
Nós éramos as carnes.
Caldo de mocotó. Gordurento, seboso, cheio de morte, mas que traz vida.
Apaixonei-me por uma samambaia, descabelada como eu.
Ali, balançando no meio do povo. O dia todo. Na feira.
Pembas, colares e caju.
Experiência única.
Gente que trabalha e que bebe.
Feira de sete portas que só tem duas.
Continue sempre assim.



Ao som de Maria Rita, Recado.