Hoje, depois de muita insistência eu instalei o Voip. Um programa meio “Paraguai” de ser.
Dizem que a conta telefônica abaixa assustadoramente, já que o custo da ligação pelo computador usando esse software é mais baixo.
Tive um dia cansativo. Participei (como assistente) de uma palestra sobre feminismo na Bahia do século XIX e precisei esquecer que possuo nádegas, pois passei horas sentado sem poder me mexer.
Foi bastante interessante, ignorando a realidade meio morta que tomava minha fronte.
Comercializei cigarros e fósforos na salinha chamada de “fumódromo”. Na verdade, era apenas o corredor do elevador, mas servia como tal.
Um fato que me chamou a atenção neste dia tão “produtivo” por assim dizer, foi a constatação do que eu já sabia: Como os relacionamentos estão se tornando modernos!
Onde fica a monogamia?
Pode até ser um modelo “heterossexual”, mas...
Bem, fiquei chocado, mesmo já tendo a real certeza sobre a veracidade do assunto.
Tentei não entrar em conflito com meus pensamentos hoje, mas não tive muito sucesso.
Acostumei-me a reclamar da vida como um refugiado, apesar de não me diferenciar muito de um.
Estou um CACO!
As horas passam, as pessoas passam, tudo passa e eu, inerte a todo e qualquer movimento.
Estou colado. E o que é pior, CALADO!
Ali, bem ali, no meio da cidade.
Todos passam por mim, através de mim. Não me enxergam, não me enxergam meu Deus!
Grito desespero mudo.
A probabilidade de um grão esverdeado ser percebido em uma quadra de areia é quase nula.
Volto pra casa e os móveis continuam no mesmo lugar, o apartamento vazio. Mas o cinzeiro do meu quarto, esse está cheio.
Estou ao som de Incubus.
É, eles são legais.
quarta-feira
segunda-feira
O Baile
As luzes do meu jardim estão apagadas. Bancos solitários sobrevivem a um ar meio mórbido.
Estou sozinho, sentado na sala, fumando mais um dos muitos cigarros que fumarei ao longo da minha existência nada mórbida.
O refrigerante perdeu o gás e pra piorar, o pó de café também está se despedindo.
Despede-se friamente. Não se importa em me deixar triste.
Coloco um disco para tocar.
É Gal, louca, desvairada, subindo pelas paredes e me chamando para bailar.
Fecho os olhos.
Estou no salão dos meus desejos e peço ao garçom que segure o meu copo. Mas que segure firme, não o deixe cair, não, não agora.
Inebriado com o desafinamento de uma diva em alfa, sinto o sopro do gozo de prazer em meus ouvidos.
Baixinho, bem baixinho ela me pede para bailar, apenas bailar.
As luzes se acendem.
Sento novamente no meu “divã” de loucuras e percebo que o disco acabou.
Hoje Clarice Lispector me disse: “Mas eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”
Estou sozinho, sentado na sala, fumando mais um dos muitos cigarros que fumarei ao longo da minha existência nada mórbida.
O refrigerante perdeu o gás e pra piorar, o pó de café também está se despedindo.
Despede-se friamente. Não se importa em me deixar triste.
Coloco um disco para tocar.
É Gal, louca, desvairada, subindo pelas paredes e me chamando para bailar.
Fecho os olhos.
Estou no salão dos meus desejos e peço ao garçom que segure o meu copo. Mas que segure firme, não o deixe cair, não, não agora.
Inebriado com o desafinamento de uma diva em alfa, sinto o sopro do gozo de prazer em meus ouvidos.
Baixinho, bem baixinho ela me pede para bailar, apenas bailar.
As luzes se acendem.
Sento novamente no meu “divã” de loucuras e percebo que o disco acabou.
Hoje Clarice Lispector me disse: “Mas eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”
domingo
Trecho extraído do livro "Perto do coração selvagem"

Um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia. Eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro!
Clarice Lispector
sábado
Cólica, apenas.

Manhã de Sol. Me negava despertar dos braços de Morfeu e continuar inebriado em seus devaneios.
Ao escovar os dentes, percebi na simplicidade de um gesto diário, a minha face desbotada refletida no meu espelho mais desbotado ainda.
E a máxima clichê me tomou os pensamentos: “Quem sou eu?”
Pergunta idiota!
Me dei conta de que venho repetindo essa pergunta há tempos e que sempre renego a resposta: “Sou Cássio e fim de papo.”
O que deveria mudar em mim?
Vou para a janela e acendo um cigarro.
Passo o dia inteiro prestando atenção nos meu atos. Policiando os meus passos e palavras vomitadas com impulsividade.
IMPULSIVIDADE.
Sim, eu sou impulsivo e isso, muitas vezes atrapalha a minha comunicação.
O fato de cuspir palavras “na cara” dos outros pode parecer uma afronta?
Acendo mais um cigarro num gesto compulsivo e desesperado de quem está começando a entrar numa crise de personalidade.
COMPULSIVIDADE.
Ai meu Deus, sim, eu sou compulsivo.
Desde que me conheço como “gente”, me considero /classifico na lista das pessoas compulsivas e loucas que conheço.
Mas a máxima da minha vida não seria a dúvida de eu ser eu mesmo, de não me conhecer?
Então como fazer tal afirmação?
Em um golpe covarde e desonesto, dou um “drible” nas minhas loucuras e passo rapidamente de um pensamento para outro: “Olha, um Fusca!” ·
Começo a admirar o carrinho em forma de abóbora, feliz por ter sido mais ágil que o meu outro eu desequilibrado, despistando-o.
Que coisa doida. Travo uma batalha constante comigo mesmo.
O dia termina, volto ao espelho para escovar meus dentes antes de retomar o meu namoro com o meu Deus dos sonhos e fixamente olho a imagem refletida.
”Quem sou eu?”.
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