Sábado

Consegui acordar depois de uma longa noite suspirando desejos.
O sol parecia brilhar mais do que o normal.
Seria possível?
Imaginei quebrar minha rotina. Não apenas a rotina em si, mas todo e qualquer ato que de costumeira, eu teria ao longo de um dia qualquer.
Acendi um cigarro e tentei enumerar o que poderia fazer para tornar o meu dia mais prático e aproveitável.
Espantei-me ao ver o quanto seria complicado mudar de uma hora pra outra. Ou melhor, em apenas uma manhã.
Mas, mudar o que?
A minha forma de pensar, de agir perante o mundo e suas convicções.
A transitoriedade da vida. A aceitação do novo como algo que não especificamente seja novo e sim, contínuo.
Como o clima que sem aviso prévio decide mudar e surpreender a todos.
Exemplo que se iguala aos sentimentos.
Daí vem a necessidade de me inventar cego. Para não ver que tudo está diferente, de que a história tomou um novo corpo.
Saber que a mudança existe e aceita-la, tornou-se apenas um exercício de autoconhecimento.
Mas até para os mais evoluídos, aceitar significa, em outras palavras, vencer conflitos internos, tornando-se uma tarefa árdua e muitas vezes desestimulante.